A frequência da síndrome alcoólica fetal (SAF) não é uniforme nas diferentes partes do mundo. Admitia-se, de maneira geral, que fosse da ordem de 0,5 a 2 casos / 1000 nascidos vivos, segundo Bertrand e colaboradores, em 2005, mas esses dados foram considerados subestimados. Pesquisas recentes de May e colaboradores, em 2011, indicam que seja de 6 a 7 casos/1000 nascidos vivos, o que segundo esses autores é   mais condizente com a realidade no mundo ocidental. Pode-se explicar essa discrepância por vários fatores: 1) reconhecimento inadequado das características físicas e comportamentais dos afetados pela equipe de saúde; 2) falhas na identificação das características da SAF nos prontuários médicos; e 3) falha em considerar a exposição pré-natal ao álcool relacionada a diagnósticos de problemas de conduta e aprendizado. Impõe-se treinamento adequado das equipes de saúde no reconhecimento e documentação desses quadros para que se consiga estabelecer a orientação pertinente o mais precoce possível, uma vez que se desconhece um tratamento curativo para a afecção.

 

Conceição Aparecida de Mattos Segre

Coordenadora do Grupo de Estudos sobre os Efeitos do Álcool no Feto, da SPSP.

 

 

Frequência subestimada